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Crianças e Adolescentes

Luto: como ajudar a criança quando alguém importante morre?

Dezembro 20, 2022

O luto é um processo natural, pelo qual todos passamos ao longo de várias fases da vida. É um processo necessário face à perda de um objeto significativo na nossa vida. Esta perda pode ser a morte de uma pessoa, um animal, mudança de fase da vida… Mas nem sempre é fácil saber como ajudar a criança numa situação de luto.

Cada pessoa vive o luto à sua maneira, e no caso das crianças, nem sempre é fácil perceber o que ela sente.

No entanto, existem alguns sinais de alerta e algumas estratégias que podem ajudar a criança neste processo.

Falar ou não falar sobre a morte com a criança?

Sim, é importante falar com a criança sobre a morte! Claro que devemos usar uma linguagem adequada à idade da criança. Mas é importante dar-lhe uma explicação, utilizar os termos corretos, e ajudar a dar um nome àquilo que ela sente.

Muitas vezes os adultos acham que a criança não é capaz de compreender a situação, pode ficar assustada ou traumatizada, por isso evitam falar sobre o assunto. No entanto, a criança tem um pensamento mágico, ou seja, ela acredita que o que pensa ou faz pode causar, evitar ou reverter a morte.

“O avô vai ficar a dormir para sempre”. Dizer algo deste género pode levar a criança a associar o dormir à morte e desenvolver medo de adormecer.

“A avó foi para um sítio melhor”. Este tipo de justificação pode ser interpretada pela criança como sendo culpa dela, ou que o sítio onde está não é bom, e por isso “a avó teve de ir embora”.

É mais útil ajudar a criança a compreender os sentimentos associados à morte, como a perda, a tristeza ou até a raiva, do que evitá-los por achar que ela não tem compreensão suficiente.

Para saberes mais sobre este tema vê também

“10 dicas para ajudar as crianças a lidar o luto”

Por onde começar?

Para ajudar a criança no processo de luto, o adulto precisa primeiro de compreender o seu próprio processo. É importante respeitar o que se sente: não se entregar a estas emoções negativas, mas não fugir delas.

Pode ser difícil encontrar um equilíbrio, no entanto, é importante compreender que as crianças são esponjas, elas absorvem tudo o que as suas figuras significativas fazem ou dizem.

A criança aprende com os adultos qual é a resposta mais adequada ou qual é a resposta esperada face à perda.

Se o adulto esconde os seus sentimentos, a criança vai aprender que não é aceitável partilhar os dela.

Se o adulto evita falar com a criança sobre o assunto, a morte vai tornar-se tabu, assim como os sentimentos que surgem associados a ela: como a perda, a tristeza, a raiva, o desamparo.

Quais são os sinais de alerta?

Por vezes é difícil compreender o que a criança está a sentir, por isso é importante estar atenta aos sinais:

  • A criança pode mostrar-se “forte” porque sente que não há espaço para a dor dela
  • Podem surgir comportamentos que não existiam anteriormente, que podem ser próximas do evento de perda ou mais tarde, noutra fase de desenvolvimento em que a criança normalmente traz problemáticas não resolvidas – a adolescência.
  • A criança pode tentar alegrar ou confortar o adulto mais próximo de si (por exemplo a mãe ou o pai), ou aquele que ela sinta que está mais frágil, assumindo ela própria o papel de cuidador que compete ao adulto.
  • Podem surgir medos irracionais, muitas vezes associados à ideia de ir dormir, de ir ao médico, de estar doente, etc.
  • Podem surgir comportamentos mais agressivos/reativos em situações que, para os pais, são consideradas “normais” no que é o dia a dia da criança.
  • Pode ser mais difícil para a criança separar-se dos pais, por exemplo, para ir para a escola ou para uma atividade.
  • Podem surgir queixas psicossomáticas mais frequentemente (ex.: dores de cabeça, de barriga…)

O que devemos evitar fazer?

1. Desvalorizar emoções

A criança precisa, em primeiro lugar, de sentir que o que ela sente é válido.

Por isso não devemos evitar o assunto, é importante que a criança sinta que pode falar sobre o que sente, que há espaço para os sentimentos menos bons. Se o adulto, de forma adequada, disser à criança como se sente, está a mostrar que não tem mal nenhum sentir aquelas emoções e que é natural sentir tristeza, raiva, saudade, medo, etc.

2. Evitar falar da pessoa que morreu ou sobre a morte

É importante que a criança sinta que pode falar sobre a pessoa que morreu e/ou sobre a situação de perda.

Quando a criança quiser falar sobre o assunto, não devemos evitar ou tentar “distrair” a criança com outras coisas, devemos sim mostrar à criança que há um lugar para falar sobre a pessoa e responder a algumas questões que ela tenha sobre a morte, para que se desmistifiquem possíveis medos. A criança precisa de alguém com quem possa expressar os seus medos e que a ajude a pensar sobre eles.

3. Esquecer a rotina

É natural que os primeiros tempos sejam um desafio, não só para a criança, mas também para os que cuidam dela.

Vão existir muitos momentos de saudade, de tristeza e de raiva. Mas retomar a rotina, fazer um esforço por manter a vida a correr é muito importante para que a criança e a família possam retomar um desenvolvimento saudável.

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